
BALLETS RUSSES DE SERGEY DIAGHILEV (1909 - 2009)Algumas foram as companhias que comemoraram o centenário dos grandes BALLETS RUSSES DE SERGEY DIAGHILEV. Uma grande pena, aqui no Brasil, não se ter prestado maior atenção e homenageado esta companhia, já que aqui estiveram nomes importantes como Leonide Massine, um dos precursores e maitres de ballet que fundou a escola acadêmica brasileira.
Massine foi bailarino e coreógrafo dos Ballets Russes e participou
dos últimos anos de atividade da companhia que ficou conhecida como os Ballets Russes de Monte Carlo, partindo para o Rio de Janeiro e coreografando para o Corpo de Baile do Theatro Municipal do Rio de Janeiro.
Aqui tambem estiveram nomes como a bailarina Maria Olenewa integrante dos Ballets Russes que veio para o Brasil com a companhia de Anna Pavlova, se apaixonando pelo Rio de Janeiro e fundando a Escola de Danças do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, atual escola que leva seu nome, além de outros nomes de grande importância para a nossa Dança Acadêmica e que são herdeiros da tradição e modernidade dos Ballets Russes como Lorna Kay, Tatiana Leskova, entre outros.
Esta tradição formou muitos de nossos bailarinos de ontem e mantem a formação dos jovens talentos de hoje, mostrando o quanto a Dança Acadêmica se modernizou, fazendo de seu repertório tradicional um marco para a modernização de sua técnica e didática.
Algumas citações de bailarinos, professores e historiadores:
"Já mencionei a enorme presença de Diaghilev, cheio de opiniões, imaginativo, ditatorial, muitíssimo bem informado sobre as artes, às vezes leviano com o dinheiro. Nem todos seus projetos para novos solistas ou compositores, novos cenários ou novos passos de ballet eram sensatos, ou sequer inteiramente separados do bailarino por quem estava apaixonado no momento... No entanto o historiador que avalia o papel da dança no modernismo deve atribuir um lugar de destaque a Diaghilev. Nenhum dos ballets que ele criou para o repertório jamais poderia ser apresentado na Rússia, fosse na era imperial ou, após 1917, na era comunista - eram modernos demais para ambos os regimes."
Peter Gay
Historiador
"A temporada de 1909 selou para sempre o futuro de Diaghilev. Ele abandonaria todas as outras formas de arte em função de sua preferência pela dança... Diaghilev sabia que tinha nas mãos uma entidade artística que deveria ser transformada em instituição permanente, dando impulso à nova concepção de ballet que surgiu com aquela primeira série de espetáculos. Todos os membros do grupo sentiram que juntos poderiam exprimir com maior liberdade os seus mais íntimos desejos artísticos, o que jamais seria-lhes permitido dentro dos regulamentos dos Teatros Imperiais."
Antonio José Faro
Professor de História da Dança
"Diaghilev optou pela vanguarda e recorreu cada vez menos às fontes inspiradoras fornecidas por lendas e folclore da Rússia. Absorvido pela audácia da arte moderna, ele quis que visual e auditivamente a sua companhia se irmanasse ao aqui e agora."
Maribel Portinari
Crítica de Dança e Escritora
Crítica de Dança e Escritora
"O academicismo russo se espalhou pela França, ainda mais porque só encontrou o vazio coreográfico. Foi trazido por Sergey Diaghilev e seus Ballets Russos. Divulgará os impressionistas franceses na Rússia e, mais tarde, os músicos de vanguarda como Debussy, Ravel e Dukas. Diaghilev queria que a dança fosse o ponto de encontro de todas as artes. Poderíamos sensurá-lo, como fez Béjart, de ter realizado apenas uma revolução etética. Mas o público ocidental estaria preparado para acolher um ballet que, pela primeira vez, tocaria o mais íntimo do ser? Já foi muito Diaghilev ter concedido à dança sua dignidade, ter conquistado para ela o interesse dos artístas contemporâneos, tê-la inserido na sensibilidade artística da época, tê-la orientado para novos caminhos."
Paul Bourcier
Historiador










